Vou bater cabeça e saldar meus Orixás!


Frase bonita e de muito significado para quem pertence à religião de Umbanda ou Candomblé, saldar o sagrado que existe em mim pedindo a ele que permita que o sagrado que existe no universo torne-se um só.
O momento que chegamos ao templo, casa, barracão enfim a morada dos Orixás e Guias, entramos em um local consagrado para ser uma passagem entre o profano e o sagrado, ali com o passar do tempo as forças divinas e divinais começam fortalecer o espaço, preparando para o trabalho humanitário e socorro aos espíritos humanos.
A função do médium ou trabalhador é muito importante, porque vem do ser humano o fruído necessário para a transformação de ambientes e também dos corpos perispirituais de irmãos que ainda não compreende a força transformadora da luz, é através de nosso ectoplasma ou fruído vital, que os trabalhadores da luz conseguem transformar o que era caos ou sofrimento em ordem ou cura.
A preparação de todo trabalhador da seara de luz é muito importante desde seus preceitos, até seu comportamento ao chegar ao local de trabalho, ao adentrarmos o terreiro devemos com certeza saudar os protetores do espaço, cruzar o solo sagrado, e bater a cabeça no conga, nos colocando a disposição da equipe ou egregora que compõem a casa.
São detalhes pequenos que narrei, mas de suma importância para o trabalhador ser reconhecido e realmente entrar em conexão com as forças regentes do local, saber o que esta assentado em sua casa, ou templo, o Orixá ou Orixás que seriam os chefes e protetores do local, o Guia que vem a ser dentro da linha das entidades o responsável pela junção entre todos, ou seja, entre os Orixás e seres humanos que ali vem trabalhar, e finalmente conhecer os Exus que comandam a proteção dos ambientes.
Realmente Umbanda tem fundamentos e precisa preparar, mas acima de tudo precisamos conhecer onde estamos, o que devemos fazer para melhorar, o que podemos fazer que não venha a prejudicar a nós ou a um irmão.
Ao deitarmos para bater cabeça pedir a Xangô que realmente nos traga o equilíbrio, a Oxalá para sermos dignos trabalhadores da luz, Ogum que proteja sempre nossos caminhos, Iemanjá que não nos deixe magoar ou faltar amor em nossos corações, Oxum que tenhamos sempre a alegria de estar vivendo nos trazendo a felicidade, Oxumaré que transforme nossos caminhos, Ibeji que nunca nos tire o doce da vida, Oxossi que não nos falte o alimento, Obaluayê e Omulu cuide nossa saúde e espírito, Nanã nos acalente em seus braços nos momentos de sofrimento, Iansã que seja a guerreira em nosso caminho, nos ensinando sempre a lutar e não fraquejar diante de nossos medos e inimigos.
Bater cabeça é reafirmar o compromisso assumido de servir e trabalhar pela luz, sempre se colocando na condição de filho, não importando seu grau ou status, é o momento que o trabalhador de forma humilde ajoelha-se e trás para dentro de si as diversas forças que agregam a luz, tenha em mente neste momento que não somente o chefe do terreiro esta lhe abençoando e sim todo um plano divino estão felizes pela sua dedicação e amor a criação do Pai Maior.
Para mim como dirigente e chefe de uma casa ao deitar e bater cabeça peço aos Orixás que nos abençoe, que ampare a todos os presentes, abrindo os portões de ligação entre os planos espiritual e material, que o sagrado que habita em mim se junte ao sagrado que é divino e infinito, agradeço aos Orixás e ao Criador a oportunidade dada para mais uma etapa de minha jornada.
Quando os meus filhos batem a cabeça eu me ajoelho e bato cabeça para os seus Orixás, não importa se tem anos de casa ou se chegou no dia, importa que ali naquela coroa ou Ori habita uma parte do cosmo, energia que foi despertada com o inicio da transformação individual de cada um, Orixá esta ali, o senhor da cabeça mora junto a nós.
Roberley Meirelles